As aceleradoras são um fenômeno extremamente recente no mundo. Passamos a conhecer o modelo a partir do sucesso das maiores expoentes, como Y Combinator, Techstars e 500 Startups. Ícones do mundo das startups, como o Dropbox, AirBnB e Sendgrid saíram de grandes aceleradoras. O modelo utilizado se baseava em investir cedo nos projetos, aportando um pequeno capital e oferecendo um programa para ajudar as empresas a chegarem do ponto A ao B de maneira mais rápida. Mentores e investidores fechavam o resto da equação, apoiando os empreendedores com a sua experiência e capital.

A base do modelo foram as teorias ‘enxutas’, emprestadas dos modelos de qualidade da indústria japonesa e americana. Com essas teorias ficava muito mais rápido e barato testar novas idéias. O risco baixou e a possibilidade de trabalhar com várias empresas ao mesmo tempo jogou ainda mais combustível ao boom das startups. O modelo rapidamente se espalhou pelo mundo, da América Latina à Ásia e, com isso, as aceleradoras começaram a pipocar, impulsionadas pelo benchmark americano.

O Brasil adotou rápido o modelo, com precursores como a Aceleradora, do Yuri Ghitahi. Na sequência, as primeiras aceleradoras começaram a trabalhar com batches (turmas) de startups, como a 21212, no Rio de Janeiro, Wayra, em São Paulo e Start You Up, no Espírito Santo. Em 2012 surgiu a Aceleratech, em São Paulo, e a Pipa e Papaya, no Rio de Janeiro. Os empreendedores passaram a contar com opções para aceleração em vários estilos e teses. Programas para apoio anterior a Aceleradora, como o Startup Farm e Germinadora ganharam força total, e foram organizadas as primeiras edições do Startup Weekend no país. Começou, então, o boom das startups no Brasil.

Aos poucos, os investidores-anjo – pessoas físicas que investem seu capital próprio em empresas com alto potencial de crescimento -, se organizaram com o apoio de grupos e associações, como a Anjos do Brasil e Gávea Angels. Anjos e Fundos focados em startups começaram a enxergar as aceleradoras como boas geradoras de “dealflow” (oportunidade de negócio) e aconteceram os contratos iniciais de investimento. Aos poucos as primeiras startups aceleradas se destacaram e ganharam relevância na imprensa e junto aos consumidores. E, aos poucos, o modelo de aceleração brasileiro vem se criando.

Inspirado, em um primeiro momento, no modelo americano, o modelo de aceleração começa agora a se adaptar à realidade do Brasil (como no mundo todo). As aceleradoras estão entendendo cada vez mais o tipo de empresa que mais tem chances de se alavancar no mercado local e começam a focar nesses tipos de negócio. Os próprios empreendedores começam a revisar seus modelos e mais empresas viáveis passam a se inscrever nas aceleradoras. Com a criação do Start-Up Brasil, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com gestão operacional da Softex, que privilegia a aproximação de empreendedores com aceleradoras e apoia esta união com bolsas do CNPq em um total de até R$ 200 mil, as aceleradoras do país se juntaram pela primeira vez para dialogar e discutir soluções para o nosso ecossistema ainda em formação.

Por que não unir os interesses das aceleradoras em uma única iniciativa?

Abraii

Dessa aproximação surgiu a ABRAII, Associação Brasileira de Empresas Aceleradoras de Inovação e Investimento, uma entidade que reúne as principais aceleradoras do Brasil. Hoje já somamos 15 associadas, do Brasil inteiro, com o objetivo de encontrar caminhos cada vez melhores e aprimorar o modelo brasileiro de aceleração.

Enquanto as aceleradoras americanas estão em um processo desconsolidar e verticalizar, acreditamos que o modelo brasileiro deverá ir para um caminho semelhante, mas com uma característica principal: a união de todas as aceleradoras em torno de um objetivo comum. Todas ganham se conseguirmos melhorar cada vez mais o ecossistema brasileiro. Em 2015, acreditamos que veremos cada vez mais:

  • Empreendedores criando empresas com alto potencial de crescimento – A matéria prima deste processo todo são bons empreendedores. Acreditamos que existe uma curva ascendente na qualidade dos empreendedores digitais brasileiros. Devemos ver cada vez melhores empresas entrando no mercado e buscando aceleradoras como parceiras no processo de crescimento.

  • Integração com o meio acadêmico – Cada vez mais os programas das universidades Brasileiras se voltam ao tema do empreendedorismo e preparam jovens empreendedores e colaboradores de startups. É fundamental que estas iniciativas continuem e se fortaleçam.

  • Colaboração com incubadoras – Hoje o Brasil possui centenas de incubadoras, repletas de talentos e produtos fantásticos. A aproximação com as aceleradoras seria uma das grandes maneiras de levar startups ao mercado, aproveitando o melhor dos dois mundos.

  • Articulação com o governo e e outras associações – Além dos órgãos governamentais, que precisam desenvolver cada vez mais políticas públicas apoiando a criação e o desenvolvimento de empresas de base inovadora, também acreditamos na articulação com associações e entidades que reúnem parceiros na mesma causa, como a ABVCAP e Associação Brasileira de Startups (ABStartups).

  • Startups do Norte e Centro-Oeste – Atualmente são pouquíssimas as aceleradoras nestas regiões ou sua disseminação inexistente, que contam com excelentes empreendedores. Esperamos estar próximos destas regiões este ano e nos conectarmos com estes empreendedores.

Acredito que o modelo das aceleradoras brasileiras ainda está em formação e devemos ver uma rápida evolução deste modelo, com cada vez mais casos de sucesso. Acredito que temos ótimas chances para fazer isso acontecer. Certamente teremos boas notícias em 2015!

**Artigo de Pedro Waengertner, Co-fundador da Aceleratech, Presidente da ABRAII (Associação Brasileira de Empresas Aceleradoras de Inovação e Investimento​)  e incentivador do ecossistema empreendedor no país.

Conheça melhor a ABRAII neste post: Entrevista sobre a Associação de Aceleradoras de Inovação e Investimento

*O Start-Up Brasil não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos de autores convidados a escrever para o blog. Sendo os mesmos de inteira responsabilidade dos autores.

23